quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Os 15 Anos de Uma Princesinha




14 de dezembro de 2007
Quando a vi foi amor pela primeira vez. Lembro que abriu os olhos como se quisesse saber quem era aquele que chorava ao lhe abraçar e depois os fechou em seguida, para saborear o leite de sua mãe querida...Eu senti ciúmes das duas ao mesmo tempo. Era 23 de Dezembro do ano de 1992 quando Deus me escolheu para ser o próprio guardião do meu anjo da guarda, que Ele tornou visível e eu o chamo de Déborah.Passaram-se quase 15 anos e eu a vejo nascer todos os dias...e a cada amanhecer, ao acordar vem-me a esperança de ser o dia em que a ouvirei pronunciar a palavra papai. Embora não torne isso mais uma obsessão, ainda sonho com este momento, a cada segundo que me resta.Todo pai sonha com o grande dia em que sua filha será a debutante, o dia em a sua mocinha estreará na vida social. Nesta noite fazem o banquete, a festa inesquecível, vários convidados, a dança com o pai, enfim, a realização de um sonho...Eu também sonhei com este dia durante anos. Finalmente chegou o dia...Debinha completará quinze anos. Não sei se será uma debutante, pois não será a sua estréia para a vida social e apesar de ser uma linda mocinha, diria uma princesa, ela ainda é uma criança de menos de um ano, na sua idade mental.Não farei festa, não porque não estou alegre, mas porque isso só preencheria o meu ego, a minha vaidade. Talvez ela até dormisse durante o baile e eu não teria a oportunidade de dançar a valsa com ela. Mas claro que festejarei este dia como todos os outros, como faço a cada dia quando vou tirá-la do berço, pela manhã ou nas madrugadas, que não são raras, ao acordar sem sono ou até por malandragem, para ficar agarradinha comigo até de manhã.(Estou chorando enquanto escrevo...mas não é de tristeza.)Choro de emoção todas as vezes que falo dela., pois foi essa pequena flor, apesar do seu silêncio, que conseguiu me falar de amor mais do que todas as outras pessoas do mundo que conheci. Apesar de nunca dizer te amo, eu sei que me ama mais do que qualquer coisa neste mundo e que eu sou, assim como sua mãe, único para ela.Apesar de não poder dar uma passada e sequer ficar de pé sozinha, consegue vir ao meu encontro de joelhos e nestes momentos, juro por Deus que a imagino ser um pequeno anjo em oração. Às vezes penso que vem levitando.Ah como eu queria que pudesse me dizer o que queria de presente nesta noite. Eu lhe daria o universo. Mas nem precisa que me diga, pois sei que o meu sorriso é o único verso que lhe interessa. Alguém pode até achar que sou egoísta e convencido, mas quem já viu Debinha comigo, saberá que tenho razão, ela me ama mais do que eu a mim mesmo.Barbinha também é assim e ambas sentem o mesmo sentimento por sua mãe, mas Déborah tem um sentimento especial. É como se a vida fosse algo efêmero (durasse um só dia) como o de hoje quando acordou batendo palminhas, enquanto eu cantava “ Parabéns pra você nesta data querida...Pois pra mim, ela nasce todos os dias e é assim há quase quinze anos.Sonhei durante muito tempo com os seus quinze anos. Chegamos a ensaiar a valsa quando ela ainda conseguia andar, se segurando em mim. Mas o tempo não passou para ela, e ainda por cima, tirou as asas de meu anjo, mas foi esse mesmo tempo quem me fez perceber que as flores não precisam voar para serem felizes, nem os beija-flores por saberem voar não podem deixar de ser um prisioneiro dela.Debinha completa quinze anos. Para Suelane e eu é um dia muito feliz, mas para ela é um dia tão muito feliz quanto os outros, porque Deborah sempre comemora o dia com um sorriso e quando adormece é de uma ternura tão grande que parece voltar ao ventre de sua mãe para nascer no dia seguinte, ou na madrugada seguinte...né malandrinha!
Transcrito do Livro O Diário de Déborah

terça-feira, 27 de novembro de 2007

BARBARAH É MESMO BÁRBARA!


A cada dia, Barbarah me surpreende mais ainda. Seu raciocínio rápido, muitas vezes dá-me respostas surpreendentes, até parece que veio para orientar-me a cuidar de Déborah, por isso a chamo de meu pequeno raio de sol. Tenho aprendido bastante com ela. Quando sinto-me sem forças, sem alguém para conversar, desabafo com ela, contando historinhas inéditas. Ela é minha fonte de energia e, assim como Déborah, mora no jardim do meu coração, perfumando minha alma de sonhos.


Pedi a Barbarah que não crescesse, pois não queria perdê-la para o mundo que ela aos pouco vai descobrindo. Eu temia que um dia viesse a sentir a mesma saudade que ora sente mamãe, quando lembra de nós ainda meninos, e que, segundo mamãe, naquela época éramos só dela. Mas ao pedir para que Babu não crescesse ela fez apenas um jeitinho dengoso, como pedindo para que não lhe exigisse aquilo. “Oh ! Painho, eu tenho que crescer para ser doutora e cuidar da Déborah.”
É quase inacreditável o que ela conversa comigo, portanto não culpo quem possa achar que imagino tudo isso. Só escrevo para que fique registrado no Diário de meu Anjo Azul.Amo-as mais do que a mim mesmo. Não consigo me imaginar sem a tagarelice da Barbarah, nem sem o silêncio de Déborah.


As duas se completam e juntas completam minha felicidade e de Suelane.
E para ser irmã de Déborah, só poderia ser mesmo uma Barbarah
.

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Fragmentos do texto" Barbarah é Barbara! Transcrito do Livro : “O Diário de Déborah”

Escrevi este texto há mais de seis anos e neste mês a Barbarah ganhou dois prêmios no Colégio Farias Brito: Tirou o 3o Lugar no concurso de poesias e o 2o no concurso de pinturas. Suelane, Déborah e eu, além de sua vovó Socorro e sua tia sueleide fomos prestigiar o evento. Foi um noite inesquecível.
Além disso Barbarah foi classificada para a classe Olímpica, classe de Elite do Colégio Farias Brito, o melhor colégio de Sobral e porque não dizer do Estado do Ceará. Realmente Barbarah é Bárbara!!!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

video

Barbarah e Deborah na Biblioteca Municipal/ Sobral Lustosa da Costa

O nosso lugar preferido é estar perto dos livros que nos ensina em silêncio como os verdadieros sábios.

Debinha adorou a visita. aliás haviam pessoas ali que a conheciam através do jornal. Barbinha faz sua carteirinha e sempre que podemos vamos alugar livros.

O SORRISO DA FLOR


O SORRISO DA FLOR


Naquela tarde, quando fiquei sabendo que Déborah tinha uma lesão no celebro , e que iria ser uma criança para sempre, eu tive uma conversa com Deus, e , confesso que no final eu falei que Ele não existia. Mas Ele sabia o tamanho da dor que havia no meu coração e perdoou-me.


Foi bastante dolorosa para mim essa notícia, tão dolorosa que ainda hoje ao lembrar, chega a fluir de meus olhos gotas de lágrimas. Vi todos os meus sonhos, que fabriquei durante noves meses, se evaporarem. Era como se eu não tivesse direito a sonhá-lo nunca mais. Pois os sonhos de vê-la correndo para os meus braços, ao ir pega-la na porta da escola, seria sempre um sonho. E para onde foram os sonhos de ouvi-la falar a sua primeira palavra ? Até a cena, que idealizei por bastante tempo, onde eu a ouvi me chamar papai, apagou-se de minha mente.


Procurei resposta par tudo. Pedi a Deus que me mostrasse, de algum modo, algo que me fizesse acreditar na sua existência. Mas, talvez por causa de tanta dor eu não sabia o que falava, e Ele, outra vez me perdoou.
Isolei-me do mundo. O meu mundo era minha filha, nada mais interessava, nada, nem mesmo os meus sonhos de consumo, profissionais e outros que carregava comigo deste muito tempo. Sempre que podia, perguntava a Deus por quê tantas pessoas más podiam falar, andar e serem independente, enquanto minha filha, e várias outros anjos azuis, teriam que ficar prisioneira num mundo tão limitado.


Aos pouco fui ouvindo a voz do silencio, comecei a perceber que os olhos tinham o seu próprio idioma, e no sorriso de Déborah encontrei finalmente Deus, pois eu o vejo agora no mais simples gesto que minha filha faz. Então, ao lembrar daquela tarde em que recebi aquela triste notícia, lembro-me que Debinha, no seu silencio, com o olhar perdido no nada, também sorria.


Ainda não consegui ouvir Déborah falando papai, e nem por isso deixo de ser feliz, pois felicidade igual a que sinto quando a vejo em silencio sorrindo para mim, como se pudesse ler meus pensamento, é impossível.

VOCÊ LÊ MEUS PENSAMENTOS ?




Déborah,
No seu silencio, quando me olha,
Parece que o céu se aproxima neste momento.
E uma paz envolve-me,
Parece até que você lê meus pensamentos.
A felicidade que sinto
Transforma-me numa criança.
Peço ao tempo que passe lento,
Talvez eu possa, quem sabe,
Ler também seus pensamentos.
Mas, você lê meus pensamentos ?
Então sabe o quanto lhe amo.
Em quem penso, em quem chamo
A cada instante, a todo momento.
Sabe que este seu beija-flor
Tem por você o maior dos sentimento.
E quando buscar mais amor
Minha filha, por favor
Procure ler meus pensamentos.



Transcrito do Livro : “O Diário de Déborah” Autor: Vaumirtes Freire

O SILÊNCIO DO MEU OLHAR




Quisera eu que Déborah pudesse andar sozinha, corresse pela calçada, teimando em pular do sofá para o chão igual a Barbarah, sua irmãzinha caçula, e mesmo que ela chegasse em casa com os joelhos feridos por ter se machucado durante o recreio, eu seria, com certeza, como ninguém jamais foi, um pouco mais feliz.


Mas, mesmo ainda não sendo possível este sonho eu sou feliz, porque aprendi a encontrar a felicidade nas coisas mais simples que me cercam. Percebi que sempre há um brilho no seu olhar ao me ver chegar. Vi no seu sorriso de felicidade que eu sou muito importante na sua vida, e ela, a cada dia, começa a cobrar mais um pouco deste beija-flor.


No entanto, não posso negar, que apesar da explosão de felicidade que há no meu rosto, não exista uma lágrima de silêncio no meu olhar, pois ,vez por outra, ainda chego a questionar, não mais a Deus, mas a mim mesmo:” O que eu poderia ter feito e não fiz? O que eu fiz e não era para ser feito ? O que ainda posso fazer e não faço ? Estou eu acomodado ?” Ninguém me responde. Os porquês se multiplicam e caem aos meus pés procurando respostas que nem eu mesmo sei onde estão.
Assim silencio-me no meu próprio silêncio, escondendo essas lágrimas, não de mim, mesmo porque não posso, mas de todos que precisam do meu sorriso, inclusive minha pequena flor.


Quisera eu que Déborah falasse, quem sabe ao completar dez anos, ou quinze, ou até mesmo se demorasse mais vinte anos para ouvir sua voz, eu iria ser um pouco mais feliz, e mesmo que ela ficasse tagarelando, igual a sua irmãzinha na hora dos meus programas favoritos ( que já nem sei quais são ) eu não iria pedir que se calasse nem um pouquinho. Talvez seja por isso que adoro a tagarelice da Barbarah, mesmo me impedindo de ouvir algo de interessante na televisão.E ali, retalhando o nada com olhar, eu sorrio em silêncio...


Retalhos da Cronica" O silêncio do meu Olhar. Do Livro : O Diário de Déborah"

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

É impossível deixar de falar das flores.


26/06/2002

Déborah é uma flor enviada por Deus em forma de um pequeno anjo.
A poesia que transpira esta flor, fez-me poeta, e eu percebi que era um beija-flor, que precisava dela mais do que ela de mim.
Vivo meus sonhos, que sejam impossíveis enquanto sonho, mas minha felicidade só por sonhá-los é bem real. Sofro, ah ! Como sofro ao vê-la querendo se comunicar comigo! E eu, na minha deficiência de perfeição, entendo-a menos do que ela a mim. Então, se os sonhos me fazem sorrir, porque não sonhá-los? Não fujo de minha realidade, nem sou hipócrita para não reconhecer que não choro com o seu silêncio petrificado no olhar perdido, no entanto, aprendi com os beija-flores a não cobrar isso da flor, se elas já nos dão o seu perfume.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

À SOMBRA DO SILÊNCIO





“Guardo comigo retalhos de momentos que consegui olhar nos olhos de minha filha tão especial. Essa lembrança é minha fonte de fé, onde me abasteço de esperanças de novos amanhãs.”



(20/03/2004)

Às vezes ainda fico me perguntando até quando conseguirei ter essa força tão sublime que me move na realização de minha missão de cuidar de uma flor especial. É tão imensa essa força que chega a me surpreender.
Renuncio a tudo, tem momentos que nada mais parece fazer sentido, a não ser a obsessão que me aprisiona em busca de uma palavra só: “ Papai. “ Tão esperada por mim há mais de onze anos, e que se esconde à sombra do silêncio no olhar de Déborah .
Ainda me flagro chorando, tentando encontrar uma resposta pelas várias perguntas sem eco que faço a mim, tornando-me refém de uma guerra comigo mesmo. Uma parte de mim querendo explicações sem aceitar o silêncio e a outra, a mais forte por enquanto, vivendo de metáforas e imaginações poética que me fazem ser feliz em meu mundo.



Até quando farei versos à sombra do silêncio?
Às vezes ainda respondo por Déborah as próprias perguntas que a faço, mas percebo que as respostas são diferentes de antigamente embora sendo as mesmas perguntas. E nessa comunicação que contraria o fio de beck, me surpreendo com as perguntas que saem de minha boca, é como se minh’alma enganassem meu cérebro e falasse por si só.
Não entendo, por isso sei que nenhum de vocês também irá entender. Um exemplo dessa minha separação comigo mesmo é o que escrevo semanalmente na coluna de um jornal e dias depois de publicado, ou até mesmo quando leio no sábado a coluna, me assusto ao ler frases que não lembro de nunca de tê-las escritas. Chego a mim emocionar como se tudo para mim fosse novidade, é como se eu lesse algo escrito por outra pessoa.
Não sei até quando publicarei meu sorriso à sombra do silêncio.
Outro dia, quando Debinha acordou, como de praxe, às 4 horas da madrugada, eu acreditei ter ouvido me pedir: “canta papai”, pois é isso que sempre faço para fazê-la ficar sossegada abraçada comigo. Mas o sono era tão grande e acabei por algumas vezes cochilado fragmentos de segundo e quem sabe eu tenha sonhado, mas só lembro ter ouvido aquela canção vindo de tão longe. .” Canta papai”.
Preciso acreditar que não foi um sonho... Eu me dou este direito para ser feliz.



No entanto aquele momento não se repetiu, mesmo eu tendo feito um silêncio tão profundo que se materializou como uma rocha, dando-me até o poder de ouvir seus pensamentos.
E minha filha, como se abraçasse um anjo ficou deitadinha comigo até o dia abrir as pálpebras do novo amanhã, enquanto eu continuava na certeza de que uma voz vindo de seus lábios, um dia poderia iluminar a sombra daquele silêncio
E hoje, quando Barbarah, sua irmãzinha, a primeira coisa que ela me disse ao acordar foi: “Papai eu lhe amo, papai eu lhe amo”, e me encheu de beijos, e ao perguntá-la porque sempre dizia duas vezes, ela sorriu ao dizer: “E eu só falei uma vez por mim a outra foi pela Debinha.”
Raras vezes Déborah, consegue olhar nos meus olhos por alguns segundos, e neste momento me alimento de inspirações e fé.
Dizem que sempre haverá amanhã. Acredito neste pensamento, por isso o sorriso no meu olhar. Mas até quando existirá essa flor especial que faz este beija flor, em plena multidão dos seus problemas, sorrir e ser o eterno poeta a sombra do silêncio?

Transcrito do livro O Diário de Déborah Autor Vaumirtes Freire

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

UM ANJO DA GUARDA VISÍVEL




“ Alguém poderá até me ver falando sozinho, respondendo as próprias perguntas que faço, talvez nem perceba que falo com meu anjo da guarda que o chamo carinhosamente de Déborah.”



Chovia.
Era uma chuva fina, mais intensa. O véu de noiva que cai sobre a cidade de Sobral, nossa Princesa do Norte só era visível nos ângulos de luz dos faróis do carro ou das luzes dos refletores que iluminava a Catedral da Sé destacando os fios d’ água no meio da noite que já avizinhava.
Sobre a ponte Dr. José Euclides, nós deslumbramos no final do contorno do espelho d’água a outra ponte que mais parecia feita de luzes que refletia nas águas silenciosa da barragem vertedoura onde a princesa se banhava. Enquanto dirigia respondia as infinitas perguntas de Barbarah. Ela questionava tudo. O por quê disso? Por que aquilo? Quem construiu aquilo? O que era aqui no passado? O passado a que se refere é sempre na época que eu era menino, segundo ela gostaria de ter me conhecido: “Você seria o meu melhor amigo, painho.“ . Então sempre volto ao passado para lhe contar as minhas travessuras, coisa que ela adora.
Percebo que Babu tem vocação para historiadora, ou quem sabe, uma grande escritora. Mas voltando ao nosso passeio. Enquanto Barbarah conversava comigo, no outro extremo do nosso diálogo, em silêncio como um anjo da guarda que velas nossos sonhos, Déborah observava tudo sorrindo num mundo de paz celestial. Os pneus do carro salpicavam cacos de espelhos d’água deixados pela chuva na avenida Mons. Aluízio Pinto, jogando-os sobre os canteiros.


Trechos do poema " Um anjo da guarad visível" do livro: O Diário de Déborah

UM PRESENTE QUE VEIO DO CÉU


Déborah é um pequeno anjinho que surgiu do céu para meus braços. É, sem dúvida nenhuma, mensageira da fé e da paz que transmite através do seu sorriso cheio de ternura. É uma fonte inesgotável de felicidade que transborda alegria, salpicando-nos de sonhos. E eu que um dia pensei que fosse feliz antes de conhecê-la.


(1997)

Naquela tarde, quando soube através do Dr. Gerardo Cristino, após examinar uma tumografia computadorizada, que Déborah tinha uma grave lesão no cérebro e que iria, pra sempre, limitar sua vida, que seria uma criança diferente das outras, e que iria precisar muito de nossa presença para que não se fechasse num mundo só dela, eu pensei que o mundo fosse acabar naquele momento. Lembro-me que ainda consegui perguntar se ela, um dia iria poder falar, mas obtive como respostas, por alguns segundos, o silêncio, talvez, tentando ganhar tempo para me responder sem me magoar. Só depois da minha insistência foi que falou: “ Você tem fé em Deus ? Então, tudo é possível” .O dia seguinte a essa tarde, enquanto tentava a transferência de minha filha para Fortaleza, sentei-me ao seu lado ali no leito da Santa Casa, e como estávamos sós , desfiz-me do desfarce de forte que usei para acalmar Suelane, e igual a uma criança só na multidão, pus-me a chorar.Questionei Deus várias vezes na minha dor: “Por que eu, justamente eu, entre milhões de pessoas ?” E por não saber o que dizia, Ele me perdoou. Desfiz-me dos meus sonhos para viver a minha realidade que não queria de maneira nenhuma aceitar. Não havia mais horizontes na minha vida. O que conquistar ? Se o que eu mais queria na vida eu perdi para uma síndrome de West. Abandonei o curso na faculdade de Tecnologia, mesmo faltando só dois semestres para concluir, porque achei que não havia mais sentido, pois o que fazer com aquele diploma na mão? se o que eu mais queria era que minha filha corresse para os meus braços ao me ver chegar. Que pelo menos pudesse me chamar de papai, que fosse simplesmente igual as outras crianças.Aos pouco, Deus foi respondendo todas as minhas perguntas. Então passei a questionar a mim mesmo: “Por que não poderia ser eu ? Por que deveria ser qualquer outra criança e não Déborah ?’’E eu passei a entender mais o sentido de cada minuto da minha vida, pois o tempo não parecia passar para Debinha. E quando eu via uma criança mais nova do que ela descobrindo o mundo, enchendo os pais de perguntas, enquanto minha filha permanecia em silêncio sem ao menos notar minha presença, aquilo, apesar da dor, fazia-me crer que havia um motivo maior de sua existência, então agarrei-me nesta fé e cheguei a conclusão de que tinha que ser eu o escolhido para ser o beija-flor desta flor que perfumava minha vida de amor e ternura.Se eu falar que nunca alguém jogou Déborah contra mim estaria mentindo. Pois já houve quem falasse que ela era um problema para minha vida e que eu deveria priorizar outras coisas mais importantes, caso contrário fechariam as portas para mim... e fecharam. Porém enquanto este intelectual materialista fechou uma porta, outros já tinham aberto várias. Mas Déborah, a cada dia cativava mais pessoas que se tornavam responsáveis por ela de alguma maneira.Até os três aninhos de idade, ela não percebia minha presença. Nem tão pouco a minha ausência a fazia ficar triste, isso era o que eu pensava por vê-la ali na minha frente e ao mesmo tempo tão distante.Suelane e eu, numa dedicação possível só para quem realmente ama, passamos a ser a outra metade dela, pois Debinha, ao contrário das outras crianças precisava de estímulos constantes para que não se distanciasse mais ainda de nós, pois se a deixássemos sozinha por alguns minutos ela caia no sono.Lembro-me que colocávamos um objeto na sua frente e lhe ensinávamos a tocá-lo, mas ela nem ao menos olhava para nós, parecia muito longe. Mas mesmo assim continuávamos a repetir esse movimento, talvez movido por uma fé, que até nós mesmos duvidávamos que existisse antes de conhecer nosso anjinho azul.Talvez eu já tivesse até no ponto de desistir, não sei, mas numa manhã, quando sentei-me novamente na sua frente para realizar nossa rotina, notei que o seus olhos rapidamente olharam dentro dos meus. Então procurei a linha do seu olhar rapidamente mas, não mais o encontrei.Três meses depois capitei outro olhar seguido de um sorriso, mas nem pude saber se demorou muito, pois comecei a chorar e abraçá-la. Deus existe ! Foi a única frase que consegui gritar. E daquele dia em diante eram comum a troca de olhares entre nós... Déborah, aos poucos nascia para o meu mundo.Mas Deus havia reservado para o mês seguinte outra demonstração de sua existência. E quando eu colocava os brinquedos sobre a caixa onde iríamos realizar uma terapia ocupacional, senti a falta de um deles. Eu o tinha colocado ali a poucos minutos, enquanto fui procurar os outros. Para a minha surpresa, Déborah o tinha pego e estava com o objeto na boca, e ainda sorria para mim com um olhar de anjo maroto. Foi impossível descrever tanta felicidade.Hoje Déborah é uma buliçosa de primeira. Adoro me aborrecer com ela mexendo nas minhas coisas, e se lhe digo que ela não pode mexer ali, ela teima, e nem por isso deixa de me fazer feliz com a sua teimosia de criança sapeca, o que realmente é, graças também a teimosia minha e de Suelane, que foi alimentada pela fé de que Deus sempre existiu.

Transcrito do livro : “O Diário de Déborah “Autor : Vaumirtes Freire – Membro do Centro Cultural dom José/Sobral

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O MUNDO DE DÉBORAH

Quando estou assistindo os noticiários sobre a guerra no Iraque, às vezes me vem a sensação de que estou diante dum filme norte-americano, onde os EUA sempre terminam vencedores, mesmo sendo uma guerra contra o Vietnã, pode?
Porém, não demoro muito para voltar a realidade e me imagino nos campos de batalhas, como se fosse um daqueles pobres soldados que sofrem na solidão do deserto de sua alma sem paz,
treinados para matar pessoas que se quer soube que existiam.
Então, olho para Déborah, minha filha especial, que apesar de completar dez anos, ainda não aprendeu a se alimentar sozinha com as próprias mãos e com certeza não irá aprender também jamais usa-las para maltratar alguém.
Fica a sorrir deitada ao meu lado querendo um olhar mais demorado meu. Tão inocente e tão criança, vive em seu mundo silencioso e até agora ainda não aprendeu a pronunciar nem a palavra papai, e com certeza nunca irá aprende a dizer a palavra ódio.
A vejo na liberdade de seu mundo tão limitado, sendo dependente do amor de todos que a cercam. Como é belo vê-la, na sua pureza de anjo, abraçar quem passa, como se agradecesse apenas por fazer parte daquele momento de sua vida. Já aprendeu bater palminhas, mas com certeza jamais irá aprender bater em alguém, mesmo porque, o seu amor pelas pessoas é algo incomparável.
(...)

A se todos que se julgam perfeitos tivessem em suas mentes um pouco da limitação que tem Debinha, “ limitação” que a faz ser tão humana. Só assim poderíamos : ouvir mais o semelhante do que gritar nossas arrogâncias; ser mais dependente do próximo e menos individualista; sentir-se mais feliz em agradecer ao ser cortejado por bajuladores, amar todos como a si mesmo sem motivos para odiar, sorrir mais do que dar ordens, dá a mão a quem passa, mesmo sem saber quem é, ao invés da hipocrisia, muitas das vezes, de um bom dia!
Com certeza, se todos pudessem plantar em suas mentes um pouco deste silêncio que há no olhar de Déborah, o mundo de todos nós, teria, não um pouco, mais um muito de paz.
Minha filha, assim como todas as crianças especiais, sempre será deficiente para odiar, para invadir o espaço dos outros, para manipular ou ser manipulada com simples instrumento de guerra.

trecho da crônica O Mundo de Déborah, Transcr. do Diário de Déborah

É impossível deixar de falar das flores.


26/06/2002
Déborah é uma flor enviada por Deus em forma de um pequeno anjo.
A poesia que transpira esta flor, fez-me poeta, e eu percebi que era um beija-flor, que precisava dela mais do que ela de mim.
Vivo meus sonhos, que sejam impossíveis enquanto sonho, mas minha felicidade só por sonhá-los é bem real. Sofro, ah ! Como sofro ao vê-la querendo se comunicar comigo! E eu, na minha deficiência de perfeição, entendo-a menos do que ela a mim. Então, se os sonhos me fazem sorrir, porque não sonhá-los? Não fujo de minha realidade, nem sou hipócrita para não reconhecer que não choro com o seu silêncio petrificado no olhar perdido, no entanto, aprendi com os beija-flores a não cobrar isso da flor, se elas já nos dão o seu perfume.
Déborah existe como outras centenas de flores que estão esquecidas nos quartos de suas casas, aprisionadas pelo muro do preconceito que os próprios pais construíram, talvez até por darem ouvidos a pessoas que acham anormal eu amar Déborah, que acham impossível ela me fazer feliz, que acham que, se escrevo poesias para ela, é para me promover.
Existem pessoas que não aceitam que eu possa ser feliz, só por que elas não conseguem ser com o mesmo filho especial, pode?
(...)
Vivemos num mundo hipócrita, onde falar de ódio é mais fácil de ser aceito e mais acreditado.
O Rei Roberto Carlos canta um amor sem limite, numa declaração de amor nunca já visto. Há quem também diga que ele se promove na imagem da esposa que faleceu. Tudo isso porque as pessoas não aceitam que ainda exista amor.
Quando resolvi publicar no jornal um pouco do meu silêncio, de maneira alguma pensei que fosse magoar alguém. Mas se soubesse que, por outro lado eu fosse contribuir bastante para a quebra dos preconceitos que aprisionavam os pais destes anjos azuis.; se eu soubesse que estas crônicas iriam contribuir também para alertar as pessoas que a felicidade encontra-se bem perto de nós, eu teria começado escrever bem mais cedo.
Quero, com o meu silêncio, gritar para o mundo que estas crianças existem. Mostrar que elas podem, mais do que pensamos, nos fazerem felizes.
Há! Como eu queria que todos pudessem ver a felicidade de Déborah quando consegue dar algumas passadas sozinha, se segurando talvez, apenas na minha presença ali ao seu lado, lhe incentivando.
Como eu queria, no próximo mês, me promover mais ainda ao conseguir, quem sabe, colocá-la outra vez na clínica, onde possa fazer suas sessões de fisioterapia, pois quero vê-la quebrar seu recorde de passadas na maratona da vida, a cada dia. Quem sabe, eu me promovesse mais ainda. Ah se eu pudesse também pagar as suas sessões de fonoaudiologia que o plano de saúde não cobre, eu iria com certeza todos os dias, nem que alguém pensasse que quero me promover. Viivo na esperança que Déborah ainda possa me chamar de papai. Por favor não tirem este meu sonho, eu necessito dele para viver a realidade.
Há meses Déborah deixou de fazer fisioterapia, mas não foi por falta de interesse nosso ( meu e de Suelane), pois fazemos o impossível e mais um pouco por ela. E ainda existe quem nos pressione para fazer mais como se essa cobrança fosse tudo que faltasse para realizarmos o que precisa.
_______________________________________________
Transcrito do livro: “O Diário de Déborah” Autor: Vaumirtes Freire

( Hoje, seis anos depois de escrever esta crônica, Déborah deixou de andar, mas não de ser feliz. Já não consegue nem ficar de pé sozinha, nem por isso ao me ver chegar não deixa de vir voando, de joelhos, para os meus braços. Ainda se quer falou uma palavra, uma silaba apenas, mas ainda não deixei de acreditar que ainda poderei ouvir sua voz, nem que seja uma só vez, por isso sou o poeta do silêncio, pois será através dele que poderei ouvir quem sabe os seus pensamentos.)

terça-feira, 20 de março de 2007

RESPINGO DE SILÊNCIO II

Trechos da crônica : É BARBARA A IRMÃ DE DÉBORAH

Transcrito do meu livro O Diáio de Déborah.


“Quando Déborah completou três aninhos, sentimos que era tempo de lhe dar um irmãozinho de presente, mas como Debinha era muito dependente de nós pra tudo, por mais simples que fosse, ficávamos em dúvida se queríamos ou não mais um filho. Porém, quando nossa pequena beija-flor nasceu, trouxe com ela um raio de luz que iluminou, não só a nossa fé, mas também a nossa florzinha Déborah. Então, percebi que aquele anjinho, apesar de ainda tão pequeno, trazia consigo uma missão, por isso a chamei de Barbarah, o que realmente ela é.”


(...)

Cativar as pessoas, ou ser ao menos notada numa casa, onde todas as atenções eram para Déborah, parecia ser uma missão bastante difícil para aquela pequena criaturinha que acabava de nascer. Poderia até ser se esta fosse a sua missão, mas não era, pois Barbarah veio para iluminar mais a Déborah, para fazê-la feliz, e não para tomar o seu lugar.
Barbinha aos poucos foi fazendo entender a sua missão. E tudo que fazia tinha um só ideal, fazer sorrir a “Teté “, pois era assim que a chamava, porém hoje quando ouve qualquer uma chamando-a deste modo, ela logo repreende : O nome dela É DÉBOLA, né pai ?.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Respingo de Silêncio

Trecho da Crônica : NO SILÊNCIO DE MINHAS PALAVRAS

18/07/2001

No silêncio de minhas palavras, as vezes fico a perguntar : “Por que Déborah tem que ser assim ? “Por que não tem a liberdade de seus pensamentos, de suas palavras? “Por que precisa sempre de alguém para ir aonde quer ? “Por que não pode me aborrecer com as mesma tagarelice e travessuras da sua irmão de apenas quatro anos ?
Vê-la ali na minha frente, tão linda! inocente, alheia à vida que passa tão lentamente, mas que chega tão rápida, vê-la tão dependente da nossa presença, da nossa dedicação, faz-me amá-la cada vez mais.


(... )


Com o tempo vi Deus manifesta-se em minha filha em cada sorriso, em cada olhar, em cada gesto seu de felicidade ao me ver chegar. Através dos versos que fiz para ela somei grandes amigos que multiplicaram minha fé através do seu carinho para com ela. Em cada minuto que passo ao lado de minha pequena flor eu sinto-me inspirado para falar de amor. Falar do meu silêncio e antes de tudo compartilhar com as pessoas um pouco de minha felicidade e da fé que me sustenta

Transcrito do Livro (NP) O Diário de Déborah
Barbarah é realmente a irmã que Debinha pediu a Deus, pois ela se orgulha da irmãzinha. ás vezes sente um pouco de ciúmes, mas é só para demonstrar o seu grande amor também por mim e sua mãe. Nós a amammos muito. Ela é o nosso raio de luz.
Déborah e Barbarah

quinta-feira, 15 de março de 2007

Fragmentos

Transc do Livro O Diário de Déborah”
Autor Vaumirtes Freire


A luz pálida do abajú, se curvava diante de sua brancura e adormecia enroscado nos seus cabelos dourados. O silencio, que dormia abraçado com os vários ursinhos de pelúcia, vez por outra acordava devido o barulho do ventilador que roncava, assoprando o mosqueteiro alvo que a protegia das muriçocas que ainda perambulavam embriagadas de sono.
Um longo facho de luz descia por entre uma telha quebrada e se aventurava no escuro do quarto. Era o braço transparente da lua que, aproveitando a ausência do sol, acariciava a minha pequena flor durante seu sono.
Ao beijá-la no rosto senti que Deus beijava meu coração.

Trecho da crônica O POETA E O SONHO “


Quando em alguns minutos sento-me para meditar, talvez procurando inspiração para escrever poesias que geralmente vêm em revoadas, sem que as procuro, viajo ao passado em busca do meu trem azul ( o mesmo trem que busca nas suas insônias a poetisa Iracema Bento ), ou busco o brilho do olhar de Déborah e Barbarah, que me aprisionam na liberdade de poder sonhar em ser criança novamente.
Então... Sem ruídos, sobre trilhos do silêncio, chega o trem azul repleto de recordações. Em cada vagão uma estória, um sonho vivido por uma criança, em cada sonho a felicidade e o poder de esquecer deste mundo capitalista selvagem, que somente os dinossauros do poder se acham no direito de sobreviver.
E ali, no divã do meu silêncio, resolvo sentar-me na estação da saudade, onde busco sonhos e outras maneiras de encontrar a felicidade. É assim que volto a ser criança, volto a acreditar em meus sonhos, e quando menos espero, chegam bandos de poesias como se fossem aves de arribação em busca de um lago.

Trecho da crônica ONDE BUSCO AS POESIAS “
25/04/2002

Quem já viu Déborah andando, percebeu o tamanho da felicidade com que ela abraça os braços da liberdade, em desafios que só nós sabemos o seu valor. Ela adora andar. Talvez nem um passarinho no seu primeiro vôo consegue ser tão feliz quanto ela. E quando vem ao meu encontro cheia de sorriso nos lábios, e com um pouquinho de medo de cair, no olhar, só nós conseguimos ser mais felizes do que ela.. só nós: Suelane, Barbarahh e eu

Trecho da Crônica Onde andarão os meus sonhos?


Hoje Debinha só consegue andar de joelhos, nem por isso me deixa de fazer feliz, pois quando a vejo vindo de joelhos ao meu encontro imagino um pequeno anjo em oração, ás vezes percebo que flutua o meu anjinho azul...e eu choro com a sua felicidade de de ver chegar.

“ O SILÊNCIO DA FLOR”


“ Se a flor pudesse voaria com o beija-flor, mas como não sabe voar ela o espera cheia de saudade desde o momento que ele parte. Talvez ela, na sua inocência, nem saiba, mas o beija-flor apesar de voar é um prisioneiro dela.”


Era uma manhã de sábado quando ao chegar em casa encontrei Debinha deitada na área em silêncio a contemplar a fina chuva que sacudia em seus cabelos doirados gotas de luz, então escrevi assim em seu diário.
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22 de Setembro de 1999

O sereno que cai nesta manhã forma uma cortina d´água que desfia sobre o pequeno jardim, onde você repousa seu olhar em silêncio. Talvez procure entre as flores bordadas de branco, o seu beija-flor.
Ah! Como eu queria ouvir a sua insistência me pedindo para ir tomar banho na chuva, ou quem sabe a sua reclamação por não ter comprado uma boneca que viu na vitrine de uma loja.
Como eu queria me impacientar por me encher de perguntas na hora do meu programa favorito, ao invés de vê-la ta silenciosa como se quisesse me perguntar algo sem saber como.
Seria tão bom se eu pudesse ter a felicidade de me aborrecer com você fazendo barulho na sala, ou até mesmo quebrar o enfeite de louça favorito.
Ah! Como eu queria me preocupar em ter que comprar o seu material escolar. Quem sabe eu não seria mais feliz, se tivesse que todo mês a obrigação de para a sua mensalidade escolar. Eu seria feliz mesmo que elas subisse todos os mês.
Seria um sonho para mim acordar com você me pedindo dinheiro para comprar a sua merenda escolar, e mesmo que eu não tivesse eu iria sorrir só por ouvir a sua voz me chamando papai.
Mas, talvez eu nem seria mais feliz como penso, pois felicidade igual a que sinto quando a vejo ta inocente, tão criança, lutando para conseguir dar os seus primeiros passos, é impossível.
Talvez eu pouco ligasse se você entrasse em casa correndo para os meus braços, porém quando a vejo estender aos mãos ao me ver chegar, como se quisesse criar asas e voar para o seu beija-flor, felicidade igual é impossível.
É difícil saber o que seria melhor quando já se é feliz, quando já conseguimos entender o porquê do silêncio das flores, mas uma coisa eu tenho a certeza, após conviver com você Déborah neste seu mundo cheio de mistério, eu sei que eu seria bem mais feliz se um dia eu pudesse ouvir, ao invés deste replica insuportável de silêncio, a sua voz me chamando de papai. Nem que fosse um única vez para depois se afogar outra vez neste mar de silêncio onde também naufrago os meus sonhos.
São 7horas e 40 minutos de sábado
O sereno ainda banha o jardim. Você esquece-o e silenciosamente vira-se, flagrando-me a admira-la, neste momento sorrir apaixonadamente, como se tivesse encontrado em mim o seu beija-flor.

Transcrito do Livro : O Diário de Déborah – Autor Vaumirtes Freire

quarta-feira, 14 de março de 2007

UM PEQUENO MUNDO QUE NÃO CONHEÇIA.





" Meu sonho era vê-la um dia chorar ao me ver partir, ou quem sabe, sorrir ao me ver chegar, mas mesmo eu a chamando pelo nome, continuava perdida em seu silêncio, sorrindo para algo invisível que somente ela via...e eu chorava. "


Aquele pequeno mundo que Déborah se refugiava todos os dias, era por mim muito questionado. Eu não conseguia, de maneira alguma abrir a porta que pudesse me levar a ele, nem que fosse por algum instante.
Por mais que eu tentasse fazê-la notar minha presença, ela permanecia alheia a qualquer movimento ao seu redor, nem mesmo os brinquedos musicais, que por sinal eram inúmeros, nem os barulhos insistentes dos maracás que balançávamos na sua frente travam-lhe a atenção das argolas coloridas que rodava constantemente fazendo-lhe sorrir, numa alegria que me dava ciúmes. Eu não aceitava ser trocado por aquelas argolas...mas nada me fazia trazê-la para o meu mundo.
Girei várias vezes as argolas para Deborah, sempre que queria vê-la sorrir. Eu alimentava em mim uma esperança de um dia, quem sabe uma vez só, ela me percebesse.
A cada dia essa esperança aumentava. A cada mês eu percebia que algo estava mudando...eu perdia mais ainda Déborah para um pequeno mundo que nunca cheguei a conhecer. E mesmo pegando na minha mão várias vezes como se me pedisse para continuar girando as argolas, eu sentia que estava muito distante de mim...e ela já completava seus três aninhos de vida.
Todos os meus recursos pareciam esgotados. Meu sonho era vê-la um dia chorar ao me ver partir, ou quem sabe, sorrir ao me ver chegar, mas mesmo eu a chamando pelo nome, continuava perdida em seu silêncio, sorrindo para algo invisível que somente ela via...e eu chorava.
Chorei muitas e muitas vezes, enquanto ela sorria para as argolas coloridas que eu mesmo girava. Debinha era um pequeno anjo que eu não conseguia me comunicar. E na ansiedade de poder me comunicar com ela, eu, sem saber, era cúmplice, deste silêncio que roubava ela de mim.


Descobri que aquelas argolas coloridas, mesmo fazendo-a sorrir, lhe aprisionava numa outra dimensão, deixando-a distante de mm, mesmo estando ali, ao meu alcance. Por intermédio de alguns neurologistas, soube que o gesto de rodar qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, era sintoma do altista, e que nós deveríamos impedi-la desse ato repetitivo.
Era então, essa a nossa missão: impedir que Déborah girasse qualquer objeto. E para cumprir tal missão, teríamos de perder o seu sorriso que ficou mais raro. Havia instante que eu, mesmo sabendo que não era correto, girava as argolas só para ver o seu sorriso.

Com o tempo, Debinha começou a se interessar por música, e quando algumas tocavam, ela começava a sorrir. Suelane e eu gravamos várias músicas que ela gostava e repetíamos sempre.
Entre muitas já passadas, hoje Déborah é apaixonada pela música “Amor Sem Limite” do rei Roberto Carlos. E quando Barbarah resolve fazer dupla com o rei, Debinha não dispensa uma gargalhada.
Porém, nada é mais importante hoje para ela do que a minha presença, por isso tenho renunciado a vários convites em que, por ocasião de horário, não posso levá-la. Ela parece já conhecer o som das minhas passadas, e ao perceber que estou chegando vem correndo ( engatinhando ) para os meus braços.

Suelane e Barbarah se revesam comigo na missão de fazê-la estar sempre presente no nosso mundo e as argolas coloridas se ainda existem, ela nem sequer percebe , pois seu mundo já não é mais tão pequeno e eu não poderia querer mais, pois como diz o rei: “Eu nunca imaginei que pudesse existir um amor desse jeito, do tipo que, quando se tem, não se sabe se cabe no peito.”

Transcrito Do Livro; “O Diário de Déborah” Autor: Vaumirtes Freire
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E quando estou lhe ensinando a andar e a vejo tão feliz, não acredito que possa existir algo que me faça mais contente, vendo-a assim, igual a um passarinho aprendendo a voar.

UM POEMA DE AMOR


Debinha
nos meus
braços com dois aninhos.

" Era uma pequena flor em silêncio que aprisonava
este beija -flor no seu mundo de paz."



" Eu vivia só na esperança de um dia ouvir sua voz,
mas até hoje ela ainda permanece em silêncio, parece até um pequeno anjo em eterna oração. "


Escrevi esta crônica no dia 23 de outubro de 1994. Faltavam dois meses para Déborah completar dois anos e eu já começava a perceber que não poderia exigir que a flor pudesse ter asas ou que falasse, como se isso fosse a única forma de ser feliz, pois descobri que um simples olhar de felicidade dela era suficiente para eu ser também, então, se minha filha era feliz, o que mais eu poderia exigir de Deus ?
E assim eu consegui ser muito mais feliz como sou até hoje ao lado de Suelane e de nossas duas filhas: Déborah, nossa flor e Barbarah, nosso raio de luz.


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Criei um mundo só nosso. Abandonei sonhos antigos, renunciei a tudo. Nada mais fazia sentido a não ser lhe fazer feliz, Déborah. Procurei em livros respostas para as minhas perguntas, mas em nenhum deles consegui encontrar algo que pudesse preencher o vazio que crescia dentro do meu coração, por lhe ver tão distante de mim, mesmo estando ao meu alcance.
Os dias para mim se passavam rápido, mas para você era como se tivesse parado, pois continuava, lentamente, tentando acompanhar o ritmo deste mundo tão longe do seu. Várias vezes refugiei-me num mundo imaginário, e nele eu lhe via correndo para me abraçar, ao chegar do colégio, com o rosto sujo de tinta pintado pelas tias; várias vezes me imaginei na obrigação de todo dia ir pegá-la na porta do seu colégio, e só depois que a última criança saía era que eu voltava a realidade... e lá estava você indiferente a mim e aos seus intocáveis brinquedos, se esforçando para engatinhar alguns centímetros do chão, que pareciam léguas.
E o que para muitos era rotina, para mim era um sonho, pois eu vivia num mundo só de fantasia, imaginando você correndo no lugar daquela criança que passava fazendo barulho na calçada; pensando ser você me pedindo a bênção aquela criança que me puxava pela roupa no centro da cidade, estendendo a mão pedindo uma esmola. Vi sonhos nos seus olhos tão meigos, quando em silêncio, me acariciava com o olhar como se lesse os meus pensamentos, querendo dizer-me para não abandoná-la um só instante. Talvez nem sabia que era eu quem lhe pedia a mesma coisa, pois ao seu lado aprendi a ser feliz. Aprendi a sorrir com a simplicidade de existir, e percebi o quanto são felizes os lírios do campo que se curvam, em agradecimentos, ao toque da mais leve brisa que lhe acaricia ao cair da tarde ou ao nascer do dia, mostrando-nos o quanto devemos ser gratos a Deus por nossa existência.
Em cada sorriso seu eu percebi a esperança brilhar, brilhar no seu rosto tão singelo, como se pedisse desculpa por alguma coisa.
Hoje você já nota a minha presença, talvez até distingue-me das outras pessoas, mas se não distinguir não importa. O importante é que já consegue me abraçar como eu sonhei um dia.
Talvez sinta a minha ausência, mas se não sentir, não importa. O importante é que sorri para mim toda vez que me ver. Seria tão bom se corresse para os meus braços ao me ver chegar, mas se não consegue, não importa. O importante é que me espera sentadinha com um sorriso que torna-me feliz como nunca fui antes.
Ah! Como eu queria que pudesse, mesmo que baixinho, e nem que fosse uma única vez, chamar-me de papai, mas se não consegue, não importa. O importante é que, apesar do seu silêncio, eu consigo escutar um voz mais baixa que o pensamento, me chamar.
Eu queria tanto que pudesse entender as estórias que lhe conto quando estamos sozinhos, ou que pudesse pedir-me para cantar uma canção de ninar para lhe fazer dormir, nas noites quando acorda sem sono. Talvez até queira e não consegue, mas não importa. O importante é que continuo a contar-lhe estórias e a fazer-lhe poesias, pois sei que um dia irá lê-las, então, se hoje elas falam de você para o mundo, amanhã falarão de mim para você.
Te amo, minha filha.
É impossível existir tanto amor e tanta felicidade, e no entanto existe. E o que eu posso querer mais ?
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Transcrito do livro : “O Diário de Déborah” Autor : Vaumirtes Freire

O ANJO AJUDANTE DE DEUS


Foto numa praça de Sobral
Barbarah no meu colo, Déborah e Suelane.

Esta crônica que segue foi escrita num momento de inspiração Divina, era como se Deus quizese me enviar respostas para as minhas inúmeras perguntas. Não consigo ler sem me emocionar.



07/11/2002

Deus lê uma relação de nomes num grande livro que o seu anjo ajudante segura. Ele faz a distribuição dos anjos que irá enviar à terra. A cada nome que cita explica aos pequenos anjos a sua função na terra.
Depois de uma hora de trabalho chama um pequeno anjo de cabelos dourados que observava tudo em silêncio.
- Encontrei uma pessoa a quem posso confiar você. Leve a ele minhas mensagens para que escreva a todos os outros que enviei, e, ou ainda enviarei meus pequenos anjos especiais, para que eles reconheçam o quanto são privilegiados por serem os escolhidos para tal missão.
Nesta hora o pequeno anjo ajudante fica confuso.
- Senhor, como isso será possível se ele não fala ?
- Ele fará do meu escolhido um poeta e através de seu silêncio, sua alma falará ao seu coração e ele, em suas inspirações, ouvirá minhas palavras e pensará que está ouvindo os pensamentos dela.
- Não seria mais fácil dar voz ao anjo, assim sua mensagem chegaria mais cedo ?
- Já fiz isso com alguns, mais poucos deram ouvidos. E demoraria muito para que ele (o anjo) falasse e quando isso acontecesse, poucos iriam dar-lhe ouvido. Assim, falarei diretamente a ele através de cada olhar, de cada sorriso ele irá perceber minha presença em todos os gestos do meu anjo especial.
- Diga-me, por que o escolheu, se sabe o quanto quer um filho para chamá-lo de papai? O quanto já o imagina correndo para os seus braços? Não irá ele desistir da missão, pois poderá se decepcionar e até duvidar da existência do Senhor?
- No começo irá questionar minha existência, sim. Pensará que o esqueci, mas com o tempo perceberá o quanto confiei nele, e que estou sempre ao seu lado. Jamais irá desistir de sua missão, pois eu darei a ele esperanças de um dia ouvi-la chamar de papai, e neste sonho cumprirá com mais dedicação e mais amor. Suas mensagens a cada dia tornar-se-ão mais belas, pois quero que faça com que as pessoas lembrem dos meus pequenos anjinhos, muitos deles aprisionados pelo preconceito.
- Quando será o dia em que ele ouvirá a voz do seu pequeno anjo?
- Ele saberá. Enquanto isso, continuarei falando ao seu coração. Farei mostrar a todos que é feliz. Muitos não acreditarão nele e alguns acharão que tenta se promover, mas ele vencerá todos os paradigmas, quebrando o preconceito que já conseguiu calar outros pais. Quando ele mais precisar de mm, eu lhe enviarei o meu melhor ajudante. Você.
O anjo sorriu, agradecido.
Quatro anos depois, Deus senta o seu pequeno ajudante no colo e lhe delega a sua missão tão esperada.
- Chegou o dia. Ele está precisando de nós. O nosso escolhido há meses, em suas orações, me pede para que fortaleça sua fé. Está um pouco cansado, mesmo assim, em nenhum momento reclama de sua missão. A sua futura mãe já o espera em seu ventre, vá logo. Você deverá proteger os três, deixe que eu me preocuparei com vocês quatro.
O anjo olhou a data de sua apresentação e Deus sorriu.
- Estamos atrasados, você só tem oito meses para nascer. Quando aprender a falar, seja tagarela, fale por vocês duas, ele está precisando muito deste carinho. Ame-o muito, pois em nenhum momento o amor dele por você será maior ou menor do amor que sente por sua futura irmã. Sua presença irá levar a ele a certeza de que eu nunca o abandonei. Essa mensagem ele fará chegar as várias pessoas, pois através do Meu Silêncio, farei que seja ouvido.
O anjo abraçou-se com Deus na sua despedida e Ele lhe agradeceu por ter sido, durante muito tempo, o seu ajudante.
E quando o seu anjinho partia com destino à terra, Deus soprou em seus ouvidos : “Não esqueça de falar ao meu anjo especial que eu o amo. Seja para Déborah o que a luz é para a flor. Eu te abençôo, pequena Barbarah.”

E no dia 05 de abril de 1997, quase um mês antes de completar os nove meses de gestação, Suelane deu a luz a um pequeno raio de sol a quem passamos a chamá-la de Barbarah.


Somente os que foram escolhidos por Deus para serem o protetor de seus pequenos anjos especiais e todos os outros que vieram para ser seu anjo ajudante, irão acreditar nesta pequena historinha que, às vezes, penso ser fruto de minha imaginação. No entanto, toda vez que leio, sinto como se não o tivesse escrito, é como se eu apenas transcrevesse a mensagem de um anjinho silencioso enviado a mim há oito anos, e que eu o chamei de Déborah.
Nesta quinta-feira, quando deixei esta crônica no jornal, Barbarah, o meu pequeno Anjo ajudante acabava de ser operada da garganta no hospital da Unimed. Ela no dia anterior, quando conversávamos sobre a operação, na sua inocência de criança me confortava: “Paínho, quando eu chegar do hospital eu vou gritar: papai, viu.” – parecia até que lia também os meus pensamentos.


Transc. Do livro “O Diário de Déborah “– Autor Vaumirtes Freire –

O SILÊNCIO DO MEU OLHAR

Quisera eu que Déborah pudesse andar sozinha, corresse pela calçada, teimando em pular do sofá para o chão igual a Barbarah, sua irmãzinha caçula, e mesmo que ela chegasse em casa com os joelhos feridos por ter se machucado durante o recreio, eu seria, com certeza, como ninguém jamais foi, um pouco mais feliz.
Mas, mesmo ainda não sendo possível este sonho eu sou feliz, porque aprendi a encontrar a felicidade nas coisas mais simples que me cercam. Percebi que sempre há um brilho no seu olhar ao me ver chegar. Vi no seu sorriso de felicidade que eu sou muito importante na sua vida, e ela, a cada dia, começa a cobrar mais um pouco deste beija-flor.
No entanto, não posso negar, que apesar da explosão de felicidade que há no meu rosto, não exista uma lágrima de silêncio no meu olhar, pois ,vez por outra, ainda chego a questionar, não mais a Deus, mas a mim mesmo:” O que eu poderia ter feito e não fiz? O que eu fiz e não era para ser feito ? O que ainda posso fazer e não faço ? Estou eu acomodado ?” Ninguém me responde. Os porquês se multiplicam e caem aos meus pés procurando respostas que nem eu mesmo sei onde estão.
Assim silencio-me no meu próprio silêncio, escondendo essas lágrimas, não de mim, mesmo porque não posso, mas de todos que precisam do meu sorriso, inclusive minha pequena flor.
Quisera eu que Déborah falasse, quem sabe ao completar dez anos, ou quinze, ou até mesmo se demorasse mais vinte anos para ouvir sua voz, eu iria ser um pouco mais feliz, e mesmo que ela ficasse tagarelando, igual a sua irmãzinha na hora dos meus programas favoritos ( que já nem sei quais são ) eu não iria pedir que se calasse nem um pouquinho. Talvez seja por isso que adoro a tagarelice da Barbarah, mesmo me impedindo de ouvir algo de interessante na televisão.
E ali, retalhando o nada com olhar, eu sorrio em silêncio...
Déborah está crescendo. Ela já completou oito anos. E cada nova descoberta sua é uma vitória para nós No entanto, o seu peso também começa a aumentar e isso faz o seu pequeno mundo se tornar um pouco menor, pois ela agora se resume na dedicação de nós três: Suelane, Eu e a Patrícia, uma amiga que trabalha em nossa casa, que fica ao seu lado na nossa ausência, além do nosso pequeno raio de sol que chamamos de Barbarah, pois se por um lado ficamos felizes com a sua evolução, que a faz descobrir o mundo que lhe cerca, querendo fazer só aquilo que gosta, por outro lado sentimos muito o quanto isso tem lhe afastado de outros braços, antes tão presentes na sua vida .
Quando vejo Barbarah, com menos de quatro anos já vestindo sozinha a fardinha do colégio, deixando para nós apenas a tarefa de dar o laço nos cadarços, enquanto Déborah, em silêncio permanece sentada no sofá, tão dependente até para se expressar naquilo que quer que façamos para ela, não deixa de doer um pouco, pouco não, muito, bem muito, dentro de mim. Mas essa dor passa logo quando chego perto dela e recebo um abraço forte. Deus ! Por que ela me abraça assim ? Parece até me pedir desculpas por alguma coisa! Por que ela continua em silêncio como uma pequena flor? Será que sabe que este seu beija-flor tem por ela o maior dos sentimentos? Deus, faça-me, por favor, ouvir um dia, quem sabe, os seus pensamentos.
Sempre haverá um silêncio em meu olhar, e esse pequeno silêncio eu chamo de segredo, pois somente à Déborah eu conto. Não sei porque, mas depois que converso com ela, eu me sinto bem mais feliz, é como se eu, diante de tanta ternura que vem do seu olhar, me aproximasse mais um pouco de Deus.
O tempo continua passando rapidamente por mim. Mas para minha pequena flor ele adormeceu um pouco, parece até que ele quer que ela seja sempre criança. E ela, em sua inocência, ao me ver calado lhe admirando, pede para que eu fale no seu ouvido, talvez nem saiba que faço silêncio na ilusão de poder, quem sabe, ouvir o seu pensamento.
Quisera eu que a flor pudesse dar um beijo no beija-flor, mas ela permanece alheia aos meus pedidos e sorri ao ouvir minha voz. E quando tenho que sair de casa para trabalhar, após beijar Suelane e Barbarah, vou aonde está me esperando com um sorriso, é como se ao beijá-la no rosto, ela beijasse meu coração, no entanto, quando está dormindo na minha saída para o trabalho, não pode retribuir os meus beijos, e isso inspirou-me a fazer estes versos:
Ao voar o beija flor / Sacudiu todo o galho. / levou nos olhos o orvalho,/ deixando as lágrimas na flor. / Ao acordar, a linda flor / Brincou com as gotas no galho, / Pensando ser orvalho / As lágrimas do beija flor.

Transcrito do Livro : “ O Diário de Déborah” Não publicado
Autor: Vaumirtes Freire ' O Poeta do Silêncio