quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Gotas de silêncio

I-



“Déborah aprisionava seu olhar no infinito de um ponto indeterminado do azul do céu bordados de pequenas nuvens, que mais pareciam anjos travessos a brincar de pega-pega. E eu, antes de congelar aquele momento numa foto, resolvi contemplar mais um pouco aquele silêncio sublime. Quem sabe, eu poderia escutar seus pensamentos.
Ela sorriu admirada com a imensidão do universo...”Sorria por nada? “ - Pensei. “Não. Ela sorria para a vida” - Respondeu-me o meu-eu rapidamente. Até parece que eu havia conseguido ouvir seus pensamentos.”


II-
“A mais ninguém eu conto meu silêncio por completo a ser a Déborah que guarda consigo todo os meus segredos. E numa manhã enquanto passeávamos lhe falei outra vez de meus fantasmas e de meus sonhos, e quando eu menos esperei, ficou de joelho no banco traseiro do carro e me abraçou com ternura. Era tão meigo aquele abraço que fomos assim até chegar à casa de mamãe. Senti como se Deus segurasse meu coração, até então em agonia.”



III-

“Na sala da 1ª série A, do colégio Sobralense, onde Barbarah fazia uma prova, havia no quadro negro pedaços de papel colados onde estavam escritas pelas crianças pequenas frases que retratavam o que elas mais desejavam. Eu, então passei a lê-las. Alguns queriam ganhar celulares, outros vídeo-games, outros pediam um passeio e a maioria pedia um brinquedo, o elementar de uma criança.”
“Você já leu o que a Barbarah mais deseja? – Perguntou-me a professora Tia Liliam”.
Era o que eu estava tentado, pois ainda não tinha encontrado. Imaginei que ela houvesse escrito dizendo que queria uma boneca, ou quem sabe o seu tão sonhado vídeo-game. Mas o que eu li me emocionou. Estava escrito em letras bonitas: “Eu queria que a minha irmã falasse.” E logo abaixo a sua assinatura.
Não me surpreendi. Ela é assim mesma. Bárbara!”

IV-
“Acordei as 4h15 naquela madrugada chuvosa. Algo me disse que Déborah estava acordada. A dúvida não me deixou em paz e resolvi ir até seu berço. A encontrei sentadinha no canto do berço em silêncio abraçada com uma boneca.”
Assim que me viu ela ficou de joelhos, pedindo com os braços levantados pedindo um abraço, pois não quis sair do berço. Resolvi deitá-la. Temi que quisesse passear aquela hora e a fiz dormir outra vez, mas só enquanto cantava dando leves palmadinhas nas suas costas, pois tão logo eu parava ela ameaçava chorar.”
“E ali ajoelhado tentado fazê-la dormir, acabei por cochilar algumas vezes. Só acordando quando ouvia a sua reclamação diante do meu silêncio amordaçado pelo sono que me fazia companhia juntamente com o vento frio que adentrava a casa pelas as venezianas da porta que dava para o pequeno jardim. E foi assim o resto da noite,”

Trechos do Livro O Diário de Déborah.
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Um comentário:

Bia disse...

bela história, fiquei emocionada.
Como faço para adquirir seu livro??